Retrato do artista quando jovem (James Joyce)

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011 |


Retrato do artista quando jovem é mais do que uma obra autobiográfica. Ela é o relato da trajetória de um homem em busca do pleno conhecimento de si mesmo. É em Retrato do artista quando jovem que Joyce inaugura todo o simbolismo que formará o cerne de suas obras posteriores. Com este texto Joyce começa a desenvolver a técnica do monólogo interior, que apareceria mais tarde, em toda a sua plenitude, em Ulisses e
Finnegans Wake. Por isso muitos encaram o livro como um preâmbulo de Ulisses. Mas Retrato do artista quando jovem é uma obra fechada em si mesma, no sentido de que traz todos os componentes dos grandes romances. Ainda é narrativa linear, diferentemente de Ulisses, mas já contêm em seu bojo todos os elementos que fizeram da ficção de James Joyce um marco da literatura contemporânea. A difícil passagem da adolescência à maturidade, a busca do sentido da vida e da arte, a emergência do indivíduo frente à sociedade, o caráter aleatório, e quase sempre desconcertante, da vida são as grandes discussões que perpassam toda a obra.

Leu os versos de trás para diante, mas assim já não eram mais  poesia. Depois leu a folha antes do frontispício vindo de baixo para cima até chegar ao seu próprio nome. Sim, era ele. E tornou a ler a página até  embaixo, outra vez. Que  é  que haveria depois do universo? Nada. Mas haveria qualquer coisa em volta do universo para mostrar onde ele parava antes de começar o lugar do nada? Não poderia ser uma parede; mas bem que podia ser uma linha fininha, bem fininha, lá bem em volta de tudo. Era uma coisa muito grande para poder pensar em todas aquelas coisas e em todos aqueles lugares. Só  Deus podia fazer isso. Tentou imaginar que enorme pensamento deveria ser esse, mas só  conseguiu pensar em Deus. Deus era o nome de Deus, assim como o nome dele era Stephen. Dieu era o nome francês para Deus, e era também o nome de Deus; e quando alguém  rezava a Deus e dizia  Dieu,  então Deus imediatamente ficava sabendo que era uma pessoa  francesa que estava rezando. Mas embora houvesse nomes diferentes para Deus em todas as diferentes línguas do mundo, e Deus compreendesse o que era que todas as pessoas que rezavam diziam em suas línguas diferentes, ainda assim Deus permanecia sempre o mesmo Deus e o nome verdadeiro de Deus era Deus

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Marcello M.

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