Doze contos peregrinos (Gabriel García Márquez)

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011 |


Doze Contos Peregrinos percorreu uma longa trajetória. Escritas, 118 perdidas e reescritas, as histórias do projecto inicial acabaram por se reduzir a doze. Histórias de solidão, amor, poder e morte, que Gabriel García Márquez soube criar com mão de mestre.

Na ponte do Mont Blanc estavam, a toda pressa, tirando as bandeiras da Confederação enlouquecidas pela ventania, e o esbelto chafariz coberto de espuma apagou–se antes do tempo. O presidente não reconheceu sua cafeteria de sempre sobre o embarcadouro, porque haviam retirado o toldo verde do terraço e as varandas floridas do verão acabavam de ser fechadas. No salão, os lustres estavam acesos em pleno dia, e o quarteto de cordas tocava um Mozart premonitório. O presidente apanhou no balcão um jornal da pilha reservada aos clientes, pendurou o chapéu e a bengala no cabide, pôs os óculos com armação de ouro para ler na mesa mais afastada, e só então tomou consciência de que havia chegado o outono. Começou a ler pela página internacional, onde encontrava muito de vez em quando alguma notícia das Américas, e continuou lendo de trás para diante até que a garçonete levou sua garrafa diária de água de Evian. Há mais de trinta anos havia renunciado ao hábito do café por imposição de seus médicos. Mas dissera: "Se alguma vez tiver a certeza de que vou morrer, tornarei a tomar café". Talvez a hora tivesse chegado.

http://www.4shared.com/document/pxvkHF4W/Gabriel_Garcia_Marquez_-_Doze_.html

Marcello M.

2 comentários:

Franciele Oliveira (Fran) disse...

Eu li este livro dele. Sou apaixonada por Gabo! Só que prefiro os romances aos contos. Acho mais envolventes.

Ao sabor das correntes. disse...

Era bem esta obra que eu precisava! Que blog maravilho, amei! =D