Agosto (Rubem Fonseca)

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011 |


O livro tem como pano de fundo os acontecimentos que culminaram no suicídio de Getúlio Vargas, em agosto de 1954. Mesclando ficção e realidade, conta a história do assassinato de um empresário e as investigações, cujas pistas levaram o investigador Mattos ao palácio do Catete e poderiam incriminar pessoas próximas do presidente e ligadas à crise política do país.

Mas Ramos não queria proteger o comissário; o delegado usava o nome de Mattos para ameaçar os banqueiros. Certa ocasião Rosalvo, o investigador, surpreendera Ramos dizendo intimidativamente a um banqueiro do bicho: «Eu mando o comissário Alberto Mattos fechar todos os seus pontos, ouviu?!» Rosalvo quando o banqueiro se retirou dissera para o delegado: «O doutor Alberto Mattos mata o senhor se descobrir que está usando o nome dele». Ramos ficou pálido. «Como é que ele pode saber? Os bicheiros não são malucos de contar. Só se for você.» Rosalvo respondera: «Eu? Doutor, macaco inteligente não mete a mão em cumbuca».
Toda delegacia tinha um tira que recebia dinheiro dos bicheiros da jurisdição para distribuir com os colegas. Esse policial era conhecido como «apanhador». O dinheiro dos bicheiros - o levado - variava de acordo com o movimento dos pontos e a ganância do delegado. Rosalvo, como um bom come-quieto, não entrava no rateio do levado pois recebia por fora directamente dos bicheiros; estes queriam ter as boas graças do assistente do comissário Mattos; a honestidade do comissário era considerada pelos contraventores como uma ameaçadora manifestação de orgulho e demência. 
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Marcello M.

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