Travessuras da menina má (Mario Vargas Llosa)

terça-feira, 21 de dezembro de 2010 |

Qual é a verdadeira face do amor?
O peruano Ricardo vê realizado, ainda jovem, o sonho que sempre alimentou: o de viver em Paris. O reencontro com um amor da adolescência o trará de volta à realidade. Lily - inconformista, aventureira e pragmática - o arrastará para fora do pequeno mundo de suas ambições.
Ricardo e Lily - ela sempre mudando de nome e de marido - se reencontram várias vezes ao longo da vida, em diferentes partes do mundo. Na Paris revolucionária dos anos 60; na Londres das drogas, da cultura hippie e do amor livre dos anos 70; na Tóquio dos grandes mafiosos; e na Madri em transição política dos anos 80. Uma narrativa ágil, ao mesmo tempo vigorosa e terna, conduz o leitor nesta dança de encontros e desencontros.
Criando uma admirável tensão entre o cômico e o trágico, Mario Vargas Llosa joga com a realidade e a ficção para contar uma história em que o amor se mostra indefinível, senhor de mil faces, como a menina má do título. Paixão e distância, acaso e destino, dor e prazer...

Naqueles dois anos, minha amizade com Juan Barreto tinha se estreitado. Passei muitos dias no seu pied-à-terre de Earl's Court, sempre escondendo dele, naturalmente, meus encontros com a menina má. Nessa época, 1972 ou 1973, o movimento hippie entrou numa rápida desintegração e se tornou uma moda burguesa. A revolução psicodélica acabou sendo menos profunda e séria do que seus adeptos esperavam. A coisa mais criativa que produziu, a música, foi rapidamente absorvida pelo establishment e começou
a fazer parte da cultura oficial e a tornar milionários e multimilionários os antigos rebeldes e marginais, seus representantes e gravadoras, a começar pelos próprios Beatles e terminando nos Rolling Stones. Em vez da liberação dos espíritos, "a expansão indefinida da mente humana", como assegurava o guru do ácido lisérgico, o antigo professor de Harvard, doutor Timothy Leary, as drogas e a vida promíscua e sem freios provocaram um grande número de problemas e algumas desgraças pessoais e familiares.
Ninguém viveu tão visceralmente essa mudança como meu amigo Juan Barreto. Sempre tinha sido muito saudável, e de repente começou a reclamar de gripes e resfriados que o atacavam com muita freqüência, junto com fortes nevralgias. Seu médico, em Cambridge, recomendou umas férias num clima mais quente que o inglês. Passou dez dias em Ibiza e voltou a Londres queimado e sorridente, cheio de histórias picantes sobre as hot nights de Ibiza, "um negócio que eu nunca ia imaginar num país com a fama de carola que a
Espanha tem".
http://www.4shared.com/document/MywlUj9u/Mario_Vargas_Llosa_-_Travessur.html

Marcello M;

0 comentários: