O rei de Havana (Pedro Juan Gutiérrez)

segunda-feira, 8 de novembro de 2010 |


Dotado de um estilo grotesco (no bom sentido) e direto, Pedro Juan Gutierrez conta a história de Rey, um adolescente sem muito na cabeça. O romance inicia com Rey assistind a morte da mãe, do irmão e da avó e acaba indo preso em uma instituição de detenção de menores. Após fugir, leva a vida em uma Havana totalmente miserável entregue a pequenos furtos, prostitutas e travestis e muitas garrafas de rum.

Regressou lentamente. Não tinha pressa. Gostava de andar de madrugada, de vagabundear sem rumo. Era melhor esquecer o cemitério. Além disso, era trabalho demais por vinte pesos. Chegou muito cedo ao edifício. Subiu a escada. Bateu na porta de Magda. Ela abriu, sonolenta.

-Ah, até que enfim você apareceu.

-O mesmo digo eu.

Magda se atirou na enxerga de novo. E ele ao lado dela. Dormiram no mesmo instante. Quando acordaram passava do meio dia. Como sempre, ele acordou com uma ereção fenomenal. Magda estendeu a mão. Apalpou, ainda meio adormecida. Apertou. Ele pôs a mão no sexo dela. E sem abrir os olhos se acariciaram. Ele chegou mais perto. Essa era Magda. Com cheiro de sujeira, igual a ele. Lambeu seu pescoço. Cheirou suas axilas fétidas. Isso o excitava muito. Subiu em cima dela, penetrou-a, e se sentiu muito bem. Realmente bem. Seria amor? Não se lembrou da bebadinha da noite anterior. Nem de Sandra. Treparam com profundidade, quer dizer, sentindo o que faziam. Depois do primeiro orgasmo, continuaram, ficaram um pouco mais frenéticos. Ah, que bom.

- Gosta de mim, titi?

- Gosto, papito, como gosto...como me sinto bem com você.

Os dois corpos unidos se comunicavam aos sussurros, com pequenas frases de amor. Se acariciavam, se desejavam com cada pedacinho dos sentidos. Depois, quando esfriava a sensualidade, dava pena sentir tanto amor. A sutileza do amor é um luxo. Desfrutá-lo é um excesso impróprio dos estóicos.

Levantaram-se da enxerga às três da tarde. Magda lhe ofereceu rum. Restava um pouco numa garrafa.

- Não. Estou com fome.

- Nem comida, nem café, nem cigarro. Não tem nada. Rum e mais nada.

- Você é um desastre.

- Você é mais desastre que eu, Rey. Se eu não arrumo grana, a gente morre de fome.

- Bom, vá, se manda. Arrume algum.

- Espere um pouco, chino, tenho um dinheirinho aqui.

- Dos velhos?

- De qualquer coisa, neném. Não comece com essa encheção. Já disse cinquënta vezes que os velhos dão mais dinheiro que o amendoim. Vamos pra rua, procurar alguma coisa pra comer.

- Não. Eu fico. Você traz. E não demore.

- Você é o maior mimado do mundo. Rei de Havana não. O Mimado de Havana!
http://www.4shared.com/document/kRU-oSC9/Pedro_Juan_Gutierrez_-_O_Rei_d.html

Marcello M.

1 comentários:

Jǝnnyfǝɹ Tǝixǝiɹɐ disse...

Maravilhoso achar este livro aqui. O blog de vocês é maravilhoso...perfeito pra quem adora ler, como eu. Passei a segui-los, o blog merece acompanhamento constante e atento. Um abraço e sucesso!