O Sobrevivente (Chuck Palahniuk)

segunda-feira, 18 de outubro de 2010 |


O nome do autor não nos soa familiar, um editor inescrupuloso colocaria "o sobrevivente - do mesmo autor de o clube da luta".
O sobrevivente não e tão inspirado quanto seu irmão mais famoso, apesar de ter uma boa premissa. Além do mérito de fazer uma boa demonstração do que a propaganda e o marketing, principalmente o americano, podem fazer; e de modo bem didático muitas, mas muitas dicas de como se remover praticamente qualquer mancha de qualquer superfície.
Na trama uma comunidade religiosa radical tem como habito enviar seus filhos para trabalhar fora para que esses enviem seu dinheiro e sustentem a comunidade, para isso eles recebem um treinamento de como cuidar de uma casa, aprendem tudo de etiqueta para dar aulas a seus patrões e, principalmente, como remover manchas.
Quando acontece um suicídio em massa na comunidade, os membros que estão do lado de fora são instruídos a cometer suicídio também, os que não o fazem são chamados de sobreviventes. A história é contada sob o ponto de vista de um sobrevivente. Enquanto a vida desses [não] se desenrola eis que surge um assassino serial que ataca esses sobreviventes. Sobra o ultimo sobrevivente, o protagonista. Até então o livro estava indo muito bem, com personagens coadjuvantes interessantes e no mínimo estranhos, mas nesse ponto uma empresa de marketing transforma o protagonista numa espécie de novo cristo televisivo, numa cruzada de conversão religio-econômica. Aparentemente não há nada de errado nisso, e em termos narrativo não há mesmo, pois Chuck consegue desenvolve essa parte muito bem, o problema é o perfil do protagonista, que até então apresentava uma postura tediosa-depreciva em relação à vida, suas maiores vitórias são as manchas que consegue remover de objetos, isso dentro de uma rotina de organização e limpezas da casa de seus patrões. Fora isso sua outra atividade, bem mais interessante, é atender ligações de potenciais suicidas. O detalhe é que ele não tenta ajudar essas pessoas, seu número de telefone saiu impresso por engano em uma lista telefônica num anuncio de serviço de ajuda a suicidas, quando começa a receber vários telefonemas de pessoas pedindo ajuda, ao invés de tentar salva-los ele tenta convencê-los a ir em frente, a se matarem.
O problema é que esse personagem aceita de pronto virar uma celebridade religio-televissiva para ajudar pessoas e tentar arrancar o máximo de dinheiro enquanto isso. Acabam virando duas personagens e duas histórias diferentes, faria muito mais sentido se o próprio serial killer se tornasse essa celebridade, no mais, uma leitura agradável.
Fonte: horamorta

Testando, testando. Um, dois, três.
Testando, testando. Um, dois, três.
Talvez isto esteja funcionando. Não sei. Não sei nem se você consegue me ouvir.
Mas se você consegue me ouvir, preste atenção. E se estiver prestando atenção, então o que você encontrou é a história de tudo o que deu errado. Este é o chamado gravador de dados de vôo pertencente ao vôo 2039. A caixa-preta, como as pessoas chamam, embora ela seja cor de laranja, e dentro dela há um monte de fios que é o registro permanente de tudo o que restou. O que você encontrou é a história do que aconteceu 
Vá em frente.
Você pode aquecer esses fios até eles ficarem incandescentes, e ele: ainda assim te contarão a mesma história.
Testando, testando. Um, dois, três.
E se você estiver ouvindo, saiba logo de cara que os passageiros estão em casa, a salvo. Eles fizeram o que se chama de retirada de vôo nas Ilha: Novas Hébridas. Depois, quando estávamos só eu e o piloto de novo no ar ele pulou de pára-quedas em algum lugar. Num mar qualquer. O que chamam de oceano.
Vou continuar insistindo, mas é verdade. Não sou um assassino. Estou sozinho aqui em cima.
O Holandês Voador.
E se você estiver ouvindo isto aqui, saiba que estou sozinho na cabine de comando do vôo 2039 com um monte dessas garrafinhas em miniatura de vodca e gim alinhadas no lugar onde você se senta olhando para a janela frontal, o painel de instrumentos. Na cabine, as bandejinhas com as entradas do frango à Kiev e do estrogonofe de carne de todo mundo estão pela metade, com o ar-condicionado limpando o cheiro dos restos de comida. Revistas ainda estão abertas nas páginas que as pessoas estavam lendo. Com todas as poltronas vazias, você pode fazer de conta que todo mundo simplesmente foi ao banheiro. Dos fones de ouvido de plástico dá para ouvir o zunido de música pré-gravada.
Aqui, acima das nuvens, estou só eu numa cápsula do tempo de um Boeing 747-400 com duzentos restos de bolo de chocolate de sobremesa e um barzinho no andar de cima, que posso alcançar pela escada espiral e preparar mais um drinque pra mim. Deus me livre entediar você com todos os detalhes, mas estou no piloto automático até ficarmos sem combustível. Pane, o piloto chama. Um motor de cada vez, todos eles vão entrar em pane, ele disse. Ele queria que eu soubesse exatamente o que esperar. Depois inventou de
me aborrecer com um monte de detalhes sobre motores a jato, o efeito Venturi, elevar a força de  sustentação aumentando a inclinação dos flapes, e como após os quatro motores entrarem em pane o avião iria se transformar num planador de 202 toneladas. Aí, como o piloto automático está ajustado para voar em linha reta, o planador começaria o que o piloto chama de descida controlada.
Esse tipo de descida, eu disse a ele, seria bom, para variar. Você não sabe o que passei neste último ano.
http://www.4shared.com/file/YYvLYaLg/Chuck_Palahniuk_-_O_Sobreviven.html

Marcello M.

2 comentários:

Paulo Tonon disse...

Ola, sou fã de clube da luta mas ironicamente foi a unica obra que li de Palahniuk. Quero comprar sobrevivente mas gostaria de saber se o autor não fica falando muito de religião ou deus... sou meio chato pra essas coisas, sou ateu e não gostaria de ver coisas do tipo "deus é maior que isso" pois me aborreceria... se puder responder, obrigado.

Lílian Alcântara disse...

Paulo, quem postou o livro é o Marcelo e ele anda um pouco sumido. Te recomendo baixar e ler o primeiro capítulo pra ter certeza se é o que você quer.