Mulheres (Charles Bukowski)

sexta-feira, 8 de outubro de 2010 |


Mulheres narra a história de Henry Chinaski (ou, pelo menos, parte dela, já que esta personagem é uma espécie de alter-ego de Bukowski e marca presença em outros livros), um escritor alcoólico, igualmente viciado em mulheres e corridas de cavalos, ainda que em proporções diferentes. Como o título anuncia, este romance aborda, acima de tudo, as (muitas) mulheres que passaram pela vida de Chinaski: umas por mais tempo, outras por menos; e os efeitos que provocaram na sua vida.

Chinaski é um marginal, um solitário, que não gosta de (quase) ninguém e que, no entanto, não consegue viver muito tempo sem uma mulher por perto: não lhes consegue resistir. Este seu vício, talvez tão incontrolável como o que tem pela bebida, acabará por trazer consequências inesperadas para o despreocupado Chinaski.

Muito sexo, muitas bebedeiras, algumas idas às corridas de cavalos, cenas decadentes q.b. – o mundo de Chinaski, tão decadente e ao mesmo tempo tão fascinante. A culpa é de Bukowski, do seu estilo cru e directo, despido de artifícios literários, preferindo antes o discurso quase oral, escrito na primeira pessoa. Os muitos e, na sua maioria, curtos capítulos, empregam um ritmo de leitura acelerado, que contrasta com o ritmo arrastado da vida do protagonista. Contudo, o resultado é bastante agradável: é uma antítese harmoniosa.

Embora, a certo ponto, possa parecer que o quotidiano de Chinaski é demasiado repetitivo e monótono, vale a pena ler a obra e descobrir o inesperado final.

Bebi a minha cerveja e dei uma volta pela sala. Depois fui para a varanda de trás, sentei-me no jardim e vi um enorme gato preto que tentava saltar para um caixote de lixo. Caminhei ao seu encontro. Quando me aproximei, ele saltou do caixote. Ficou quase a um metro de mim, e olhava-me. Tirei a tampa do caixote. O fedor era horrível. Vomitei para dentro do caixote. Deixei cair a tampa no passeio. O gato saltou, pôs-se com as quatro patas no rebordo do caixote, hesitou ainda e, depois, brilhante sob a meia lua, saltou para dentro.
Lydia ainda falava com Randy e reparei que, sob a mesa, um dos pés dela tocava num dos dele. Abri outra cerveja. Sammy fazia rir os convidados. Eu era um pouco melhor do que ele quando queria fazer rir as pessoas, mas nessa noite não me sentia bem.
Havia quinze ou dezasseis homens e duas mulheres - Lydia e April. April era gorda e estava sob o efeito de ATD. Estava estendida no chão. Ao fim de uma hora ou pouco mais, levantou-se e saiu com Cari, um speedfreak completamente chanfrado. Ficaram então catorze ou quinze homens e Lydia. Encontrei uma garrafa de whisky na cozinha, levei-a para a varanda das traseiras e de quando em quando dava goles.
À medida que a noite avançava os tipos iam partindo. Até mesmo Randy Evans saiu. Por fim ficou apenas Sammy, Lydia e eu. Lydia falava com Sammy. Sammy disse algumas coisas engraçadas. Eu estava com vontade de rir


Marcello M.

http://www.4shared.com/document/P_jpQd20/Charles_Bukowski_-_Mulheres.html

1 comentários:

Davi Araújo disse...

Evohé!

Sou poeta, historiador, jornalista e leitor omnivoramente voraz. Quero ser um colaborador. Como é que faz?

Beijabraço textual