A máquina do tempo (H.G. Wells)

domingo, 17 de outubro de 2010 |


O personagem conhecido apenas como "O Viajante do Tempo", desenvolve, com base em conceitos matemáticos, uma máquina capaz de se mover pela Quarta Dimensão, nesse caso considerada como a dimensão do tempo. Com ela, viaja até ao ano de 802.701 onde encontra os Elóis, pacíficos e dóceis remanescentes dos humanos, aparentemente vivendo num mundo paradisíaco, sem qualquer tipo de preocupações até perceber que os mesmos na realidade servem de alimentos para uma outra raça, os Morlock, que vivem no subterrâneo e que, apesar de outrora terem sido dominados pelos Elóis, na época o mesmo já não acontecia.

O livro recebeu uma versão cinematográfica em 1960, dirigida por George Pal e tendo Rod Taylor como ator principal, sendo relativamente fiel ao livro original apesar de adicionar alguns conceitos de sua época, o por adicionar licenças poéticas que tornam a história mais rápida e simples. O personagem principal recebeu também um nome, "George", numa óbvia homenagem a Herbert George Wells.

Já na outra versão de 2002, dos diretores Gore Verbinski e Simon Wells, por sinal bisneto de H.G.Wells, ocorrem alterações mais extensivas. O personagem central da história é o cientista Alexander Hartdegen, interpretado por Guy Pearce, um homem obcecado por duas coisas: sua bela noiva Emma e a possibilidade de viajar no tempo; porém uma tragédia acaba vitimando a noiva do cientista. Desesperado ele resolve construir uma máquina do tempo para voltar no tempo e mudar o passado. Após muito pesquisar, Hartdegen consegue construir um aparelho capaz de transportar as pessoas pelo tempo. Ele retorna ao passado e tenta salvar sua noiva. Entretanto, apesar das tentativas, ela acaba sempre morrendo. Desesperado, o cientista resolve viajar até o futuro para descobrir por que ele é incapaz de alterar o passado. Testando suas teorias com a máquina, Alexander viaja de 1889 para o ano de 802 701 d.C.. Lá ele descobre que a humanidade se dividiu em duas raças: os Morlock e os Eloi. Além disso, os seres humanos não são mais encarados como iguais entre si, mas como caças e caçadores.

Vale lembrar que o tema do romance do cientista, bem como a questão a respeito de alterar o passado não estão presentes na obra original de Wells.
Fonte: Wikipédia

O Viajante no Tempo (pois convém que ele seja designado desta forma) estava a nos explicar um assunto dos mais recônditos. Seus olhos cinzentos e brilhantes cintilavam, e seu rosto, em geral pálido, estava cheio de cor e de animação. O fogo ardia, e a luz das lâmpadas incandescentes se refletia nos lírios de prata, fazendo faiscar as bolhas que luziam em nossas taças de cristal. Nossas cadeiras, um modelo patenteado por ele próprio, pareciam nos abraçar e nos envolver, mais do que receber o peso dos nossos corpos. Havia em tudo aquela repousante atmosfera de pós-jantar, quando os pensamentos vagueiam à vontade, livres das barreiras da precisão. E foi deste modo que ele nos propôs sua ideia, reforçando cada ponto com o dedo em riste, enquanto nós, preguiçosamente sentados, admirávamos o fervor e a imaginação com que ele expunha seu novo paradoxo.
— Acompanhem-me com atenção, porque precisarei ir de encontro a uma ou duas ideias de aceitação universal. A geometria que vocês aprenderam na escola, por exemplo, se fundamenta num equívoco.
— Não acha que essa é uma premissa muito audaciosa?
— inquiriu Filby, um indivíduo de cabelo ruivo, que gostava de polemizar.
— Não lhes peço que aceitem nada, se acharem que não há base para tanto. Em breve irão todos concordar com as minhas premissas. Todos sabem, imagino, que uma linha geométrica, uma linha de espessura igual a zero, não tem existência real. Estudaram isso, não é? Assim como um plano geométrico também não existe. Tais coisas são meras abstrações.
— Sem dúvida — disse o Psicólogo.
— Do mesmo modo, um cubo que possua apenas altura, largura e profundidade não pode ter uma existência real.
— Nesse ponto eu discordo — disse Filby. — É claro que um corpo sólido como esse existe. Todas as coisas reais...
— Sim, é o que todos acham. Mas espere um pouco. Será que existe um cubo instantâneo?
— Não entendi — disse Filby.
— Será que um cubo que não dure por algum tempo pode ter uma existência real?
Filby ficou pensativo.

http://www.4shared.com/document/MHZsu-aF/H_G_Wells_-_A_mquina_do_tempo.html

Marcello M.

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