Grande Sertão: Veredas (João Guimarães Rosa)

quarta-feira, 27 de outubro de 2010 |


"Há duas maneiras de ler Grande sertão: veredas. A primeira, e que tem sido objeto de muitos ensaios eruditos, volta-se para a verdadeira revolução lingüística, constante na obra de Guimarães Rosa e da qual este livro talvez sejavascript:void(0)ja a manifestação mais expressiva. Focalizam-se então a utilização e valorização do vocabulário e da sintaxe regionais (que muitas vezes é o que há de mais clássico na língua), a invenção de palavras com fins expressivos, e muitas outras das várias facetas de sua minuciosa exploração da narrativa. A segunda que independe totalmente de qualquer aparato crítico, é deixar-se simplesmente dominar pela força da história fascinante, extensa, movimentada, imprevista, da qual a linguagem de G.R. é apenas o instrumento adequado, porque reflexo fiel do meio em que se desenrola, e com o qual o autor se identifica de maneira profunda. Em Guimarães Rosa o sertão é intuído e não analisado, reproduzido e não descrito. Ele não pretende explicá-lo, mas recriá-lo, abordando as coisas e os fatos narrados por contato direto e por intuição, reduzindo ao mínimo o papel do conhecimento racional na apreensão da realidade que transmite ao leitor: o sertão é uma visão. Riobaldo, o narrador , dá-nos a chave para o entendimento dessa visão, ao dizer , logo ao início: “O sertão está em toda parte... o sertão é do tamanho do mundo.” É o regional, que se projeta e conquista dimensão universal, sintetizada na condição humana – o homem é o homem, no sertão de Minas ou em qualquer outro lugar do mundo. Como disse Antônio Cândido: “A experiência documentária de Guimarães Rosa, a observação da vida sertaneja, a paixão pela coisa e o nome da coisa, a capacidade de entrar na psicologia do rústico – tudo se transformou em significado universal graças à invenção, que subtrai o livro da matriz regional, para fazê-lo exprimir os grandes lugares-comuns, sem os quais a arte não sobrevive: dor , júbilo, ódio, amor , morte, para cuja órbita nos arrasta a cada instante, mostrando que o pitoresco é acessório e, na verdade, o Sertão é o Mundo."

Que o que gasta, vai gastando o diabo de dentro da gente, aos pouquinhos, é o razoável sofrer. E a alegria de amor – compadre meu Quelemém, diz. Família. Deveras? É, e não é. O senhor ache e não ache. Tudo é e não é... Quase todo mais grave criminoso feroz, sempre é muito bom marido, bom filho, bom pai, e é bom amigo-de-seus-amigos! Sei desses. Só que tem os depois – e Deus, junto. Vi muitas nuvens.
http://www.4shared.com/document/hm0bZa2g/Guimares_Rosa_-_Grande_Serto_V.html

Marcello M.

1 comentários:

felipe disse...

Obrigadão!