O livro das ignorãças (Manoel de Barros)

terça-feira, 3 de agosto de 2010 |


De nadas e ignorãças é formada a poesia de Manoel de Barros. Situada no pantanal mato-grossense. Mas não sei se poderia falar que é formada a sua poesia ou desformada. Para o nosso poeta pantaneiro a beleza das palavras estava na sua perda de sentido e as coisas mais bonitas não podiam ser expressadas. Soando quase com uma ternura infantil, o poeta brinca de tirar significados e é fantástico ao tratar de seu temas favoritos (ou falta de): o nada, formigas, passarinhos, invencionáticas e alcança seu objetivo que é o de não ter, expressa o que não deve ser expressado e usa palavras para destruir elas mesmas. Meu livro favorito do autor.

Descobri aos 13 anos que o que me dava prazer nas leituras não era a beleza das frases, mas a doença delas.
Comuniquei ao Padre Ezequiel, um meu Preceptor, esse gosto esquisito.
Eu pensava que fosse um sujeito escaleno.
-Gostar de fazer defeitos na frase e muito saudável, o Padre me disse.
Ele fez um limpamento em meus receios.
O Padre falou ainda: Manoel, isso não é doença, pode muito que você carregue para o resto da vida um certo gosto por nadas. . .
E se riu.
Você não é de bugre? - ele continuou.
Que sim, eu respondi.
Veja que bugre só pega por desvios , não anda em estradas -
Pois é nos desvios que encontra as melhores surpresas e os ariticuns maduros.
Há que apenas saber errar bem o seu idioma.
Esse Padre Ezequiel foi o meu primeiro professor de agramática.
http://www.4shared.com/document/WTWoEatc/Manoel_de_Barros_-_O_Livro_das.html

Editado e postado por:
Marcello M.

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