A herdeira (Henry James)

segunda-feira, 12 de julho de 2010 |


Embora não fosse muito esperta nem excessivamente bela (no que respeitava ao vestuário o seu gosto roçava a vulgaridade), Morris Townsend achou Catherine absolutamente encantadora. Menos, há que admiti-lo, por causa da sua bondade evidente e honestidade de carácter que por ser herdeira de uma substancial fortuna. Entretanto, e para o Dr. Sloper, o espectáculo de ver a sua filha cortejada por um encantador caçador de fortunas é motivo de divertimento e desafio.
A Herdeira (Washington Square - 1880) adaptado ao cinema por William Wyler e protagonizado por Olivia de Havilland e Montgomery Clift, passa-se em Nova York e pertence ao número dos primeiros romances de Henry James. É uma daquelas histórias de intensa comoção, lealdades divididas e inocências atraiçoadas em que, como disse Graham Greene, se dá talvez o caso de se tratar do único romance em que um homem conseguiu penetrar no campo feminino e produzir um trabalho comparável ao de Jane Austen (Orgulho e Preconceito).

A opinião do pai sobre a sua pureza moral justificava-se inteiramente: era excelentemente, imperturbavelmente boa: afectuosa, dócil, obediente e muito inclinada a dizer a verdade. Quando mais nova, era bastante arrapazada e, embora seja uma confissão um tanto embaraçosa sobre uma heroína de romance, tenho de acrescentar que era muito comilona. Que eu saiba, nunca roubou passas da despensa. Mas usava os seus "alfinetes" na compra de bolos com creme. Porém, quanto a isto, uma atitude crítica não estaria de acordo com uma referência inocente à história dos primeiros anos de qualquer biógrafo. Decididamente, Catherine não era inteligente: não era de raciocínio rápido. Não era anormalmente destituída, e obrigou-se a aprender o suficiente para dar boa conta de si nas conversas com os seus contemporâneos – entre os quais, porém, ocupava um lugar secundário, deve dizer-se. É bem sabido que em Nova Iorque é possível uma jovem ocupar um lugar de primeira categoria.
http://www.4shared.com/document/qI-hvqEa/Henry_James_-_A_Herdeira.html

Marcello M.

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