Ratos e Homens (John Steinbeck)

terça-feira, 4 de maio de 2010 |


George e Lennie são dois amigos bem diferentes entre si. George é baixo e franzino, porém astuto, e Lennie é grandalhão, uma verdadeira fortaleza humana, mas com a inteligência de uma criança. Só o que os une é a amizade e a posição de marginalizados pelo sistema, o fato de serem homens sem nada na vida, sequer família, que trabalham fazendo bicos em fazendas da Califórnia durante a recessão econômica americana da década de 30. Ganham pouco mais do que comida e moradia. No caminho, encontram outros sujeitos pobres e explorados, mas também situações que colocam em risco a sua miserável e humilde existência. Em 'Ratos e homens', Steinbeck levou à maestria sua capacidade de compor personagens tão cativantes quanto realistas e de, ao contar uma história específica, falar de sentimentos comuns a todos seres humanos, como a solidão e a ânsia por uma vida digna.
Fizeram as camas sobre a areia. A medida que o brilho do fogo diminuía, a esfera de luz tornava-se menor; os galhos recurvos desapareciam e apenas um tênue vislumbre denunciava agora o lugar dos troncos.
—George... tá dormindo? —perguntou Lennie na escuridão.
—Não. O que é?
—Vamos arranjar coelhos de cores diferentes.
—Claro que vamos —disse George, quase adormecido. — Coelhos vermelhos, azuis e verdes, Lennie. Milhões deles.
—Peludos, George, como eu vi numa feira de Sacramento.
—Peludos, claro.
—Porque eu também posso ir embora, George, e viver numa caverna.
—Também pode ir pro inferno — disse George.— Agora cala a boca.
A luz vermelha das brasas se extinguiu. No alto da colina junto ao rio, um coiote uivou e um cão respondeu do outro lado da corrente. As folhas do sicômoro sussurraram na leve brisa da noite.

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