Quando Nietzsche chorou (Irvin D. Yalom)

sábado, 8 de maio de 2010 |



"O autor, psicoterapeuta e professor de psiquiatria da escola de Medicina da Universidade de Stanford, Estados Unidos, criou um encontro hipotético entre o filósofo alemão Friedrich Nietzsche e Josef Breuer, um dos pais da psicanálise, tendo como cenário a Viena do final do século XIX. Valendo-se do caso de amor verídico entre Nietzsche e a sedutora e intelectualizada Lou Andreas-Salomé, Yalom sugere que esta, vendo o ex-amante deprimido, teria procurado Breuer para que tratasse do filósofo. Para condimentar ainda mais a situação, o médico está passando por um período difícil, tendo fantasias sexuais com sua paciente, a célebre Anna O. – primeiro caso descrito no livro “Estudos sobre a histeria de Freud e Breuer”, considerado fundamental sobre o assunto. O charme da história reside na “troca de figurinhas” entre dois gigantes do pensamento ocidental, que se tornam amigos e colaboradores nesta versão."
(Informações de Abdieldamon)

Breuer manteve-se em silêncio, manuseando as peças de xadrez enquanto refletia sobre as palavras de Max. 
-Talvez  você  tenha  razão.  Veja  bem,  senti,  mesmo  na  hora,  que  provavelmente não  deveria  ter  tentado  citar  seu  livro.  Não  deveria  ter  dado  ouvido  a  Sig.  Tive  uma premonição  de  que  citar  suas  palavras  para  ele  não  era  inteligente,  mas  ele  ficou  se esquivando  de  mim,  me  arrastando  para  um  relacionamento  competitivo.  É  engraçado, veja  só:  durante  toda  a  consulta,  imaginei  que  estava  jogando  xadrez.  Eu  armava  uma armadilha contra ele, ele se safava e armava outra contra mim. Talvez eu fosse culpado; você  diz  que  eu  era  assim  na  escola.  Mas  não  tenho  sido  assim  com  um  paciente  há anos, Max. Acho que é algo nele: ele o extrai de mim, talvez de todos e, depois, o chama de natureza humana. Ele acredita que seja! É aí que toda sua filosofia está furada. 
- Veja bem, Josef, você continua tentando encontrar furos na filosofia dele. Você diz que ele é um gênio. Se é tamanho gênio, talvez você devesse aprender com ele, em vez de tentar derrotá-lo! 
O encontro fictício entre as personagens verdadeiras é envolto de tantas fatos verídicos que fica difícil acreditar que trata-se apenas um livro e não um relato da verdade. A narrativa paralela à filosofia de Nietzsche é capaz de tornar o leitor bastante introspectivo durante a leitura. Achei a idéia do livro simplesmente fantástica, se já tiver conhecido as teorias de Freud e as de Nietzsche provalmente achará o mesmo.

0 comentários: