Livro sobre nada (Manoel de Barros)

quinta-feira, 15 de abril de 2010 |


"Uso a palavra para compor meus silêncios.
Não uso das palavras
Fatigadas de informar.
Dou mais respeito
Às que vivem de barriga no chão
Tipo água pedra sapo.
Entendo bem o sotaque das águas.
Dou importância às coisas desimportantes
E aos seres desimportantes
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas mais do que as dos mísseis.
Tenho em mim esse atraso de nascença
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.
Sou um apanhador de desperdícios
Amo os restos
Como boas moscas.
Queria que minha voz tivesse formato de canto
Porque não sou da informática
Eu sou da invencionática.
Só uso minhas palavras para compor meus silêncios."

Nada sempre me pareceu o tema favorito do "poeta pantaneiro" Manoel de Barros. Entretanto, sempre foi um nada cheio de invencionáticas daquele tipo que só crianças entendem. Cheio de ignorãças e coisas que são ditas de formas melhores enquanto não são explicadas por palavras, o poeta descreve o pantanal, a poesia, o nada e expressa de forma muito peculiar os significados destes.

http://www.4shared.com/document/Fo9CHlBZ/MB_-_Livro_Sobre_Nada.html
*link corrigido.
Marcello M.

1 comentários:

Luara Mayer disse...

boquiabri-me com a delicadeza.