O livro é um depoimento de Lucinha Araújo (mãe do Cazuza) à biógrafa Regina Echeverria. Todo o corujismo de Lucinha é passado de forma tão íntima ao leitor que no fim você também se sente responsável pelo cantor e poeta desconcertado, Cazuza.

Agenor, que só descobriu que seu nome não era Cazuza quando começou estudar, foi uma criança levada como tantas outras, que procurava abrigo nos ombros de sua avó quando alguma coisa pegava mal em casa e foi mimando-se de abraços em abraços na família.

Desde novo talentoso, despertou interesse por desenhos e geografia, mais tarde por fotografia, teatro, circo, até se atirado, por Leo Jaime, na banda Barão Vermelho. Seu pai, dono da Som Livre, não quis gravar o disco dos meninos temendo ser julgado por isso e estar gravando apenas pelo seu filho, mas as coisas se resolveram de algum forma.

A banda Barão Vermelho estourou, Cazuza fez ali seu melhor amigo: Frejat. Mesmo com a saída do Barão a amizade permaneceu:

"'(...)Ao voltar para o Rio não nos falamos mais, até o dia do meu aniversário, quando Zeca perguntou se podia levar Cazuza à festa em minha casa. Quando abri a porta, ele estava ajoelhado e entrou escorregando pela sala até se abraçar nas pernas e meu pai e dizer: Frejazão, meu sogro!!! Cazuza era uma figura! Na mesma hora, tudo passou. Nesse dia tivemos uma conversa, quando lhe perguntei se ainda queria ficar no grupo, porque do jeito que a situação estava, não era mais possível. Mas Cazuza disse que não. Falou que não, queria sair do Barão'."
(Um dos depoimentos de Frejat no livro)

Não vou continuar contando, vale à pena ler. E mais, vale à pena ter o livro cheio de fotos do arquivo pessoal de Lucinha. A narrativa é super envolvente, pra quem tem costume de ler o livro pode ser terminado em um ou dois dias, uma das melhores biografias que já tive a oportunidade de ler.

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