Cânticos (Cecília Meireles)

segunda-feira, 19 de abril de 2010 |

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V

Esse teu corpo é um fardo.
É uma grande montanha abanfando-te.
Não te deixando sentir o vento livre
Do Infinito.
Quebra o teu corpo em cavernas
Para dentro de ti rugir
A força livre do ar.
Destrói mais essa prisão de pedra.
Faze-te recepo.
Âmbito.
Espaçoso.
Amplia-te.
Sê o grande sopro
Que circula...



"Vê a tua vida em todas as origens"; "Não digas onde acaba o dia"; "Troca-te pelo Desconhecido"; "Quebra teu corpo em cavernas"; "Como foi que mediste a vida?" Estes são alguns dos versos de Cânticos, livro em que Cecília nos mostra de forma belíssima a grandeza de seu olhar e a sinceridade de sua dor. Seu canto transcende o que é cotidiano, adquirindo a força e ao mesmo tempo a suavidade de quem medita no que passa. À medida que lemos, nos deparamos com o Desconhecido em nós, maior e mais vasto - o que temos de único e verdadeiro. Nossa referência passa gradativamente de nosso corpo cercado pela "casca dourada e inútil das horas", como diria Mário Quintana, para o entorno, acontecendo sempre no tempo presente. Nos incluimos no que há à volta e nos apaixonamos pela possibilidade de receber o mundo ampliando-nos nele.

http://www.4shared.com/document/rOCE_mRp/Ceclia_Meireles_-_Cnticos__Rev.html

Bruno de Abreu

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